CTC/PUC-Rio utiliza equipamento de altíssima resolução para estudar a deposição de nanopartículas de prata em bambus, método usado para prevenir e matar fungos

O uso do bambu tem sido estudado para diferentes aplicações na engenharia civil, produção de biomassa, papel, tecidos, compósitos, materias de decoração e design.  Porém,  a utilização do bambu natural é bastante limitada por causa da biodegradação dos próprios constituintes naturais pela ação de agentes microbianos: fungos e bactérias. Neste contexto, a nanotecnologia proporciona a possibilidade de empregar nanopartículas metálicas, tais como prata e cobre, para inibir a proliferação de insetos e microrganismos em dispositivos industriais e médicos.

 

Suspensões coloidais de nanopartículas de prata (Ag-NPs) estão sendo utilizadas como materiais de preenchimento nanométricos em estruturas micrométricas, compósitos e em matrizes poliméricas, como reforço estrutural ou substância anti-microbiana. Um grupo de pesquisa multidisciplinar da PUC-Rio, que compreende pesquisadores dos departamentos de Engenharia Civil, Engenharia de Materias e Química, estão envolvidos numa pesquisa de quase dois anos abordando o estudo da impregnação da espécie Dendrocalamus Giganteus Munro com Ag-NPs sintetizadas com dois estabilizantes orgânicos diferentes: citrato trissódico e quitosana.

 

As seções impregnadas foram analisadas por Microtomografia de  raios X (μCT), verificando-se que os agregados metálicos de NPs-Ag-citrato se concentraram no parênquima, enquanto que, os agregados de NPs-Ag-quitosana se concentraram tanto parênquima quanto nos vasos do metaxilema. A microtomografia de raios X permite a reconstrução tridimensional da amostra analisada e a determinação quantitativa da distribuição das Ag-NPs no interior na matriz vegetal do bambu. Um vídeo 3D disponível on-line (https://www.youtube.com/watch?v=gbbyCVz3Pw0) permite a visualização de todos os componentes orgânicos e metálicos do bio-compósito.  As nanopartículas foram caracterizadas fisicamente e quimicamente por diferentes técnicas espectroscópicas e de microscopia eletrônica: UV-VIS, SERS, ICP-MS, TSEM, DLS. As propriedades antifúngicas foram avaliadas na presença da espécie Aspergillus niger. Bambu tratado e não-tratado com Ag-NPs foram deixados expostos ao ar e umidade do verão do Rio de Janeiro. Após três meses, o bambu não-tratado apresentava colônias de fungos no exterior da amostra examinada, enquanto que, os bambus impregnados com Ag-NPs  apresentam-se limpos, sem nenhuma proliferação de fungos, mesmo após um ano de acompanhamento. O trabalho tem sido objeto de uma tese de mestrado da aluna Raquel dos Santos Martins, e parte dele foi recentemente publicado numa revista internacional: RSC Adv., 2016, 6, 98325  “Colloidal silver nanoparticles: an effective nanofiller material to prevent fungal proliferation in bamboo”.

Secretaria assina protocolo de intenções para incentivar o cultivo do bambu

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e a Associação Brasileira dos Produtores de Bambu (Aprobambu) firmaram, no dia 15 de dezembro de 2015, um protocolo de intenções para desenvolverem novas técnicas de manejo e exploração de bambu. O objetivo é aprimorar a cultura no Estado, com foco no desenvolvimento do pequeno produtor paulista.

O documento foi assinado pelo secretário Arnaldo Jardim e pelo presidente da Associação, Guilherme Korte, no Palácio dos Bandeirantes, durante a realização do I Encontro das Cadeias Produtivas do Setor Agropecuário Paulista. O encontro reuniu centenas de produtores, lideranças e autoridades para debater o segmento, juntamente com a presença do governador Geraldo Alckmin. Também assinaram o protocolo, como testemunhas, o secretário adjunto da Pasta estadual, Rubens Rizek e o secretário de Desenvolvimento Econômico do município de Atibaia, Livio Giosa.

Além de incentivar o cultivo do bambu em São Paulo, o protocolo visa criar controle da erosão do solo, por meio de projetos agroflorestais e o desenvolvimento de tecnologias para a aplicação industrial do bambu, com a produção de aglomerados, carvão ativado, pisos, revestimentos, caibros e estruturas.

Arnaldo Jardim enfatizou os diversos ganhos que as ações conjuntas podem proporcionar à agricultura paulista. “Em termos econômicos, o bambu é um material versátil e que poderá atribuir maior competitividade à nossa indústria, com o desenvolvimento de novos materiais; e em termos ambientais, é uma opção de agricultura limpa e sustentável. E, principalmente, possibilitará que o pequeno produtor agregue maior valor à sua produção, gerando renda e emprego, uma das principais orientações que recebemos do governador Geraldo Alckmin”, afirmou.

O documento assinado prevê ainda ações para ampliação dos estoques de bambu no Estado de São Paulo e melhoria na exploração da matéria-prima e determina a formação de um Grupo Técnico de Cooperação (GTC), com representantes das entidades, que apresentará um Plano de Trabalho no período de 45 dias após sua constituição.

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